sábado, 5 de março de 2016

Dale Ponte Preta!


Há dois anos e quatro meses a Marcela e eu moramos e estudamos em Campinas/SP, neste período tivemos o prazer de conhecer pessoas maravilhosas, cada uma ao seu estilo. Dentre muitos colegas e amigos que aqui fizemos quero destacar um que por vários motivos suplantou a amizade e passou a ser um irmão para mim.

O Fabrício é um cara sem comparação, é daquele tipo raro de se encontrar. Sua generosidade e sua preocupação para com os outros, são qualidades preciosas do meu amigo. Mas não para por aí. Ainda existe algo surpreendente na vida dele e de elevada raridade: Ele torce para a Ponte Preta. Confesso, nunca pensei que conheceria um torcedor da Ponte Preta.

Brincadeira à parte, o fato é que devido ao carinho e respeito que temos por ele e ao seu amor e paixão pelo time preto e branco de Campinas, de alguma forma sou impulsionado a torcer pela ponte. Vou ao estádio, vejo diversos jogos na TV, visto literalmente a camisa, canto os coros da torcida, enfim, por alguns instantes eu sou ponte pretano. Mas quando a euforia acaba e a poeira desce, volta a pulsar dentro de mim um coração rubro-negro, a flâmula flamenguista ergue-se na minha mente e me dou conta que não sou ponte pretano, sou flamenguista.

Este é um retrato quase que perfeito, da realidade cristã atual. Muitos de nós somos atraídos, seja por alguém ou por alguma coisa, ao cristianismo. Então andamos, nos vestimos, nos portamos, falamos, cantamos, vivemos por um determinado período como bons cristãos. Contudo, quando a euforia acaba e a poeira desce, a nossa consciência nos informa de que esta não é a nossa realidade.

Ser ponte pretano é muito mais do que vestir uma camisa e ir ao estádio, ser ponte pretano é uma convicção. Ser cristão é muito mais do que ir à Igreja, fazer boas obras, falar “evangeliquês” ou saber a Bíblia do início ao fim. Ser cristão é esquecer-se de si mesmo, é estar perdido para o mundo, é andar no fio da navalha, é viver paradoxalmente. Ser cristão é estar morto para si e vivo para Deus, que através do seu Espírito, vivifica o nosso espírito e capacita a nossa alma e corpo a agirem como Jesus Cristo seu filho agiu nesta terra.


sexta-feira, 30 de março de 2012

Eu, um punhado de palha.

Série: Pensando, vivendo e libertando-se.

Reflexões acerca do Salmo 1.

Andar, parar e assentar. Estes três verbos têm estruturado o fluxograma da minha vida e compõem a rotina cíclica, contínua e desesperançosa do meu ser. Não, o problema não está nos verbos e sim no sistema falido e corrompido que a má utilização dos mesmos criou ao longo dos tempos e no qual infelizmente por muitas vezes baseio a minha vida.
Constantemente sigo meu caminho a partir da indicação bussolar dos homens; homens estes que possuem suas próprias ideias de longitude e latitude no que diz respeito a vida. Logo encontro-me submetido a um modo, a um jeito, a uma formatação que me reduz aos princípios e regras do sistema. Consequentemente torno-me seu escravo, agindo e reagindo conforme suas leis.
Então percebo que dele estou dependente para encontrar respostas, para satisfazer minha vida, para realizar-me, para obter sucesso. Enfim, minha cosmovisão e meu modus operandi tornam-se sujeitos ao sistema e já não sei se sou o próprio ou se faço parte dele, pois sinto-me fundido ao dito cujo.
Percebo contudo, no decorrer da vida, como disse anteriormente, a fragilidade do tal sistema. Pois está baseado principalmente nas ideias, no conhecimento e nas experiências dos homens o que é insuficiente quando eu, um simples punhado de palha, estou sujeito ao vento, ou seja, sujeito as confrontações da vida. Logo, sem segurança alguma, sou levado em muitas direções e vejo-me fragmentado em pequenas porções de palha, dispersas de acordo com o ímpeto e a direção do vento.
Que situação terrível me encontro! Quem me livrará de tamanha desaventurança?